Credor aprova plano de recuperação do Independência

Proposta de frigorífico, que tem dívida de mais de R$ 3 bilhões com trabalhadores, bancos e fornecedores, prevê deságio e parcelamento
Seg, 09/11/2009
Rodrigo Vargas/Mauro Zafalon
Folha de São Paulo

Os credores do frigorífico Independência aprovaram o plano de recuperação judicial apresentado pela empresa e que prevê a quitação parcelada de dívidas que somam mais de R$ 3 bilhões com trabalhadores, instituições financeiras e fornecedores.
A proposta foi aceita em assembleia geral realizada anteontem, em São Paulo. Entre os signatários do acordo, estão 1.524 pecuaristas de cinco Estados que, juntos, têm a receber um total de R$ 194 milhões. Até a semana passada, o grupo defendia o pagamento integral e imediato da dívida ou a falência da empresa.
 
Na assembleia, porém, eles decidiram aceitar o cronograma previsto pela empresa: uma primeira parcela de R$ 100 mil para cada produtor até março de 2010, com eventuais saldos parcelados em 24 meses e corrigidos pela taxa Selic.
 
"Não é o melhor resultado, mas é a melhor alternativa", disse o superintendente da Acrimat (Associação dos Criadores de Mato Grosso), Luciano Vacari.
 
A dívida com os produtores mato-grossenses é de R$ 55 milhões. Segundo Vacari, o fim da negociação permitirá que o setor "leve a vida em frente". Afetado pela crise global, o Independência pediu recuperação judicial em março por "falta de fluxo de caixa".
 
Pelo acordo, que incluiu um deságio de 50% em parte da dívida total, a empresa se compromete a pagar um total de R$ 1,13 bilhão aos credores -o que representará 70,8% das dívidas totais e 98,64% dos credores.
 
Para Luiz Fernando Paiva, do Pinheiro Neto Advogados e que atuou pelo Independência, o acordo foi um passo importante para desatar o primeiro nó. Ele permite que a empresa obtenha recursos, avance em outras questões pendentes e, "se houver processo de venda, mostre estabilidade para potencial investidor".
 
Para Pedro Paulo Wendel Gasparini, do escritório Fleury Malheiros, Gasparini, De Cresci e Nogueira de Lima Advogados, que também atuou pelo Independência, o acordo foi importante porque "vai pavimentar o caminho para acertos de dívidas que estão fora da recuperação judicial". Em nota, o Independência manifestou "grande satisfação" com o resultado da assembleia.
 
"[O plano] apresenta alternativa viável para o pagamento sustentável e ordenado das obrigações [...] permitindo a manutenção da fonte produtora, dos empregos, do interesse dos credores."
 
A aprovação do plano, diz a nota, permitirá que a empresa inicie o processo de "retomada das operações" -praticamente interrompidas desde fevereiro, com a suspensão dos abates em dez unidades industriais.
 
"Atualmente o Grupo Independência emprega 3.000 colaboradores diretos", diz a nota. "[Com o plano] poderá voltar a empregar mais 5.000."

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