Aftosa: Etapa mais importante

Pecuaristas se preparam para realizar a principal fase do calendário estadual de combate à doença. Meta são 26 mi de cabeças em novembro
Ter, 13/10/2009
Diário de Cuiabá
Arquivo Acrimat
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Pecuaristas de Mato Grosso, donos do maior
rebanho bovino do Brasil, se preparam mais uma vez para vacinar seus animais
contra a febre aftosa. Mais de 26 milhões de cabeças de todas as faixas etárias
deverão ser imunizadas de 1° a 30 de novembro. Ainda neste mês, o Instituto de
Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea), libera a comercialização das doses
da vacina. As empresas especializadas ainda não receberam os estoques para a
nova temporada da Campanha.
No ano passado a vacinação contra a febre
aftosa realizada em novembro de 2008 atingiu o índice de 99,66% de cobertura
vacinal em Mato Grosso, abrangendo 25,93 milhões de bovinos, num total de 26,02
milhões de cabeças existentes no Estado.
 
“Temos certeza que os números serão
positivos mais uma vez, pois na primeira etapa de vacinação deste ano, em maio,
para bovinos e bubalinos de zero a 24 meses de idade, Mato Grosso alcançou o
maior índice de sua história com 99,72%, na cobertura vacinal contra a febre
aftosa”, lembrou o vice-presidente da o vice-presidente da Associação dos
Criadores de Mato Grosso (Acrimat), José João Bernardes.
Bernardes
conclama os pecuaristas para “fazer a principal lição de casa que é proteger sua
propriedade e o Estado de uma doença que interfere diretamente nos mercados
interno e externo. Sabemos que mais uma vez haverá engajamento, pois o Mato
Grosso está há quase 15 anos sem registro de aftosa”.
Ele alerta
principalmente os produtores que estão nos chamados pontos de estrangulamento,
onde existe dificuldade em relação ao deslocamento do produtor rural até a sede
do município para comprar a vacina e fazer a comunicação após a vacinação, além
do armazenamento do produto, que tem de ser mantido em temperatura entre dois e
oito graus Celsius. “Isso ocorre principalmente em assentamentos rurais e em
áreas indígenas e o nosso Estado tem o maior número de assentamentos”, disse
Bernardes.
A Acrimat já começou um trabalho de conscientização junto aos
produtores, alertando que “o prejuízo é de todos se algum caso for registrado”,
frisa o superintendente da Acrimat, Luciano Vacari.
Ele disse que “é
dever do produtor a conscientização de vacinar”. Para atender todo Mato Grosso,
a Acrimat conta com representantes eleitos pelos produtores em oito grandes
regiões: centro sul, médio norte, noroeste, nordeste, norte, oeste, sudeste e
Arinos. Vacari alerta que “os pecuaristas que não participaram da campanha
voluntariamente serão autuados e os animais vacinados com supervisão do
Instituto de Defesa agropecuária de Mato Grosso (Indea)”.
CALENDÁRIO -
Mato Grosso começou este ano a realizar apenas duas etapas de vacinação contra a
febre aftosa, antes eram três etapas: fevereiro, maio e novembro. A partir desde
ano é realizada uma vacinação em maio para animais entre zero e 24 meses e outra
em novembro para animais de todas as idades.
 
Somente 80 mil das 26 milhões de
cabeças de bovinos no Estado, presentes ao longo da área de fronteira com a
Bolívia, continuam com três etapas, vacinando seu rebanho também em fevereiro.
Fazem parte desse caso, as propriedades que estão na faixa de 15 quilômetros da
fronteira com a Bolívia, por serem consideradas de instabilidade e
vulnerabilidade sanitária para o gado brasileiro.
DOENÇA – A febre
aftosa é uma enfermidade altamente contagiosa, atinge os animais biungulados
(casco fendido), bovinos, bubalinos, ovinos, caprinos, cervídeos e suídeos,
entre outros. Caracteriza-se pela formação de vesículas (bolhas) e úlceras
(erosões) na mucosa oral e nasal, na teta e entre os cascos. Não é uma zoonose,
ou seja, não contamina o homem, mas é atualmente uma das principais doenças
comerciais. Cidades, estados e países que registram focos da doença ficam
impedidos de exportar a carne.
A enfermidade é causada por um vírus que
se dissemina rapidamente pelo meio ambiente, através do contato com objetos
(ferramentas, botas, veículos, ar e água.) e animais infectados.