550 fazendas aguardam auditoria
Quinhentos e cinquenta propriedades em Mato Grosso aguardam auditoria do Ministério da Agricultura e Abastecimento (Mapa), com a finalidade de exportar carne bovina para a União Europeia, segundo a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat). Atualmente, há 203 enquadradas nas exigências do mercado europeu. Em todo o Estado, há 26 milhões de cabeças de gado.
Para o presidente da Acrimat, Mário Cândia de Figueiredo, a vistoria das propriedades tem seguido num ritmo muito lento. A média de vistoria semanal é de seis a sete propriedades. Atualmente, o trabalho é realizado por duas a três equipes, em todo Estado. “Falta mão-de-obra para regularizar a propriedade”, diz Cândia.
Com intuito de apoiar o trabalho, ele afirmou que a Acrimat disponibilizou dez veterinários para o trabalho, durante um período,de 60 dias.”O Mapa fechou o acordo com a UE, então tem que resolver”, critica o presidente da Acrimat. De acordo com o secretário de Estado de Desenvolvimento Rural, Neldo Egon, micialmente havia o obstáculo da adesão do produtor ao sistema de rastreabilidade. Agora, o problema enfrentado é a disponibilidade de profissionais para realizar o trabalho de vistoria das propriedades.
Egon comentou que o Ministério da Agricultura e Abastecimento Agrário (Mapa) assumiu o compromisso de remunerar 24 técnicos cedidos pelo Instituto de Defesa Agropecuária (Indea/MT). “O atendimento deve começar em breve”, disse.
A coordenadora do Sistema para Certificadora de Rastreabilidade de Rebanhos Bovino e Bubalino (Sisbov) da superintendência regional do Mapa, Patrícia Cristina Borges Dias, em entrevista concedi- da à Folha na segunda-feira, observou que apenas 40% das propriedades mato-grossenses se enquadram nas regras de qualidade exigidas pelo mercado europeu.
Segundo ela, de janeiro a julho deste ano foram habilitadas 155 fazendas, mas 492 ainda estão na fila de espera. Ela explica que a demora nas auditorias se deve à falta de pessoal. “Temos 21 -auditores do Mapa e outros 38 do Indea. No entanto, o governo do Estado cancelou os recursos para pagar as diárias dos novos contratados”.
Acordo
Um Protocolo de Intenções foi assinado ontem pelo governo do Estado com a Embrapa Gado de Corte de Campo Grande (MS), para implantação do projeto desenvolvido pela Embrapa de Boas Práticas Agropecuárias — BPA — Pecuária de Corte.
O BPA é uma ferramenta de gestão que inclui 12 pontos de controle, como gerenciamento, função social do imóvel, responsabilidade social, gestão ambiental, instalação rural, bem-estar animal, manejo pré-abate, formação e manejo de pastagem, suplementação alimentar, identificação animal, controle sanitário e manejo reprodutivo.
Ao todo são 121 itens para serem verificados, divididos em 4 níveis: não aplicáveis, obrigatórios, altamente recomendável e recomendável.
O projeto desehvolvido Embrapa será implantado nas principais regiões e terá os resultados analisados. “Podemos crescer sem a necessidade do desmatamento, sendo cada vez mais eficientes e transparentes em nossa atividade”, salientou o governador Biairo Maggi, ao lembrar que hoje o governo de Mato Grosso tem uma consciência de desmate zero, sem esquecer que o Estado precisa continuar produzindo alimento.





