Exportações de carne bovina de MT para Europa caem 65%

Dados apontam que a maior queda foi registrada entre 2007 e 2008, quando a União Europeia passou a exigir que o Ministério da Agricultura fizesse a auditoria das propriedades habilitadas para exportar
Ter, 11/08/2009
Só Notícias

As exportações de carne bovina de Mato Grosso para a União Europeia no primeiro semestre de 2009 registrou considerável queda comparada com o primeiro semestre dos três últimos anos.
 
Segundo levantamento feito pelo Imea (Instituto de Economia Agropecuária), neste ano foram exportados 4,08 milhões de quilos, um decréscimo de 65,62% com relação ao ano anterior. “Os dados apontam que a maior queda foi registrada entre 2007 e 2008, quando a União Europeia passou a exigir que o Ministério da Agricultura e Pecuária fizesse a auditoria das propriedades habilitadas para exportar para o bloco. Nesse período houve uma grande queda tanto do volume (74,37%) quanto do valor”, analisou o superintendente da Acrimat, Luciano Vacari.
 
Mato Grosso possui hoje 203 propriedades aptas a exportar para União Europeia, “porém temos uma fila de quase 500 propriedades aguardando a auditoria oficial para exportar carne in natura para os mercados que exigem o Eras/Sisbov (Serviço Brasileiro de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos). Enquanto não for resolvido o sério problema de falta de estrutura do Ministério da Agricultura para realizar as auditorias a situação vai persistir”, disse Vacari.
 
As consequências na morosidade das auditorias do Sisbov são inúmeras. A exigência da rastreabilidade para que a carne chegue ao cobiçado mercado europeu travou o mercado dificultando o ingresso de novas propriedades.
 
O Brasil, por exemplo, usou apenas 25% do volume possível da cota Hilton no ano passado (2008/2009), ou seja, para aproveitar a nova cota Hilton o Brasil terá que aumentar 715% as exportações para a UE . A cota Hilton foi criada com a finalidade de minimizar as distorções geradas pela sobretaxação da carne brasileira exportada para a União Europeia.
 
A cota Hilton do Brasil era de 5 mil toneladas de carne com uma taxa de importação de 20%. Com a entrada da Romênia e Bulgária na comunidade europeia, a cota do Brasil dobrou desde o dia 1 de julho e o Brasil passou a ter direito de exportar 10 mil toneladas. “A notícia é animadora para o pecuarista que está investindo em sua propriedade para se adequar às rígidas normas europeias, mas a contrapartida do governo federal não existe, penalizando o produtor mais uma vez”, disse o superintendente da Acrimat.
 
Os impactos na retração das exportações também podem ser sentidos no preço da arroba no mercado interno, segundo levantamento do Imea.