Carrapato bovino preocupa
É um parasita pequeno, mas se tomou a principal causa de grandes perdas econômicas na pecuária brasileira. O carrapato bovino, Boophulus microplus, está cada vez mais resistente e desperta a preocupação de pesquisadores.
Estima-se que os prejuízos provocados por infestações em rebanhos sejam superiores a US$ 2 bilhões por ano.
O uso de carrapaticida é o principal meio de controle, entretanto, o uso inadequado pelo produtor faz com que a resistência aos produtos apareçam cada vez mais rápidos nos pastos. É o que alerta a Márcia Mendes, pesquisadora do Laboratório de Parasitologia Animal, do Instituto Biológico (IB-Apta), da Secretaria de Agricultura paulista.
Em Mato Grosso, a situação também não é diferente. De acordo com o veterinário da Acrimat, Leonardo Assad, os carrapatos estão gerando mais prejuízos no gado leiteiro, que tem menor rusticidade. “O carrapato já está se tomando um prublenia crônico aqui em Mato Grosso.”, afirma.
Márcia Mendes coordenou uma pesquisa sobre o tema, que constatou uma sucessão de erros. Dos produtores entrevistados, 37% aplicam o carrapaticida aleatoriamente, sem obedecer à periodicidade recomendada. Também não se segue a dosagem da bula, não se usa o equipamento adequado para aplicar a calda e, muitas vezes, o funcionário encarregado não é capacitado.
“A maioria dos produtores não possui critérios para a escolha do carrapaticida, seguem a indicação erradas e fazem o tratamento somente quando visualizamos carrapatos”.
O Biológico mapeou o controle do carrapato em 30 pequenas propriedades leiteiras, em seis regiões paulistas. Entre os anos de 2007 e 2008 o Laboratório de Parasitologia Animal do Instituto Biológico realizou um levantamento da resistência do carrapato do boi frente aos cãrrapaticidas usados em pequenas fazendas de gado de leite no interior de São Paulo.
A pesquisadora explica que inicialmente foi feito um questionário para verificar os métodos usados pelo produtor no controle do carrapato. “Foram verificados a escolha dos carrapaticidas, produtos usados, modo e frequência da aplicação”.
A pesquisa revelou que de sete grupos químicos que compõem os carrapaticidas registrados no País, o carrapato bovino tem resistência parcial ou total a cinco. Os casos de carrapatos resistentes aos pireiroides passaram de 83,33% em 2007 para 100% em 2008; para o organofosforado clorpirifós, a resistência saltou de 50% em 2007 para 95% em 2008.
E as consequencias desta resistência formam uma conta que vai além dos cifrões. O produtor gasta mais e ainda assume o risco de contaminação do aplicador e do meio ambiente. “Sem contar que as aplicações constantes de determinado produtos carrapaticidas em curtos intervalos podem deixar resíduos na carne e no leite”, adverte.
Outros prejuízos ainda se somam a estes. Como a diminuição do ganho de peso, da produção de leite, danos no couro provocados pelas picadas, além de transmitirem o protozoário Babesia sp, agente causador do complexo Tristeza Parasitária Bovina, que pode levar à morte.
A pesquisadora explica que nas regiões Sudeste e Centro-Oeste a infestação ocorre nos meses de outubro a março. E os tratamentos devem ter início por volta do final de setembro e outubro, com inspeções semanais a partir de setembro.






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