Aftosa

Seg, 26/10/2009
Diário de Cuiabá
Editorial
Editorial

Preocupado com as condições climáticas, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Rui Prado, sugere a imediata antecipação da segunda e última etapa anual de vacinação contra a febre aftosa, oficialmente determinada pelo calendário sanitário animal para novembro, com o objetivo de imunizar os rebanhos bovino e bubalino de mamando a caducando.
Qualquer alteração no calendário de vacina num ano interfere em sua aplicação no outro, porque – pela proposta de Rui Prado – criaria intervalo maior em relação à etapa de maio de 2010, destinada aos animais com até 24 meses.

Além disso, a vacinação tem que ser vista com maior amplitude, por se inserir num calendário regionalizado. Não se pode esquecer que a aftosa não respeita limite geográfico. Se os vizinhos de Mato Grosso não vacinarem em sintonia com seus colegas criadores mato-grossenses, a vacinação que se faz aqui teria eficácia questionável.

A vizinhança para efeito sanitário animal inclui ainda a região boliviana na extensa faixa de fronteira, onde Mato Grosso tem presença permanente como parte da política de blindagem de seu rebanho.
O pecuarista está acostumado a vacinar. As propriedades com invernadas e confinamentos contam com curralama. Os criadores pantaneiros normalmente não sofrem problemas com inundações em novembro, mesmo assim, o calendário sanitário concede dilatação de prazo até 15 de dezembro para a aplicação da dose imunizadora na região definida como “Complexo do Pantanal”, que abrange toda a área inundável no período das águas altas.
 
Os rebanhos nas reservas indígenas recebiam vacinação assistida pelo extinto Fundo Emergencial da Febra Aftosa (Fefa), função essa que obviamente será assumida pelo Instituto de Defesa Agropecuária (Indea).
Desde 16 de janeiro de 1996, quando da última notificação de foco de aftosa – foco clínico e sem comprovação laboratorial – em Mato Grosso, no município de Terra Nova do Norte, os índices de cobertura vacinal são próximos de 100% e a doença felizmente foi banida das invernadas mato-grossenses.
Ao longo de quase 14 anos sem aftosa a iniciativa privada foi parceira decisiva das autoridades para o sucesso da política sanitária animal e pela primeira vez nesse período Mato Grosso terá atípica etapa de vacinação universal do rebanho. A atipicidade se prende a dois fatos: houve mudança no calendário eliminando a vacinação da bezerra, que acontecia em fevereiro; e o Fefa, que foi aliado primordial do Indea, não mais existe. Nessa condição, o ideal é a união de forças para que o fantasma da aftosa permaneça exorcizado.
Após a aplicação da última dose da vacina a proposta de Rui Prado merecerá análise por parte do Ministério da Agricultura e do Indea para reavaliação do calendário sanitário, mas nunca para mudança imediata e isolada de uma etapa de vacinação da aftosa em Mato Grosso. “Mato Grosso terá atípica etapa de vacinação universal do rebanho”