Jonas Pinheiro, dois anos depois

Sex, 19/02/2010
Editorial
Diário de Cuiabá
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Quem conhece o trabalho do produtor rural mato-grossense para arrancar da terra o pão que alimenta brasileiros e estrangeiros nos quatro cantos do mundo sabe o quanto é difícil essa tarefa. Mesmo assim, essa categoria é criticada por alguns que teimam em desqualificá-la.

Mato Grosso somente se desenvolveu porque seu principal pilar econômico e social, o agronegócio, garantiu essa evolução. Mas, para que a atividade agropastoril saída do processo rudimentar, das lavouras de toco e da imunização do rebanho contra aftosa com a aplicação de querosene no cangote do boi, para os mais modernos processos de produção, os produtores rurais percorreram em pouco tempo um longo caminho, que a cada passo descortinava novos horizontes.

Isoladamente, no campo, o produtor rural não conseguiria o respaldo necessário para produzir, porque o Brasil é injusto com quem trabalha e teima em manter absurdas barreiras burocráticas que impede a criação de política agrícola duradoura e justa. Porém, para felicidade de Mato Grosso os homens do agronegócio – em todas as suas esferas – tiveram importante aliado durante o quarto de século pontificado pela vida pública do pantaneiro mato-grossense Jonas Pinheiro da Silva.
 
 
Congressista entre 1983 e 2008, Jonas Pinheiro foi deputado federal por três vezes consecutivas e senador eleito em dois pleitos (1994 e 2002), sempre empunhando a bandeira da produção agropecuária do Brasil como um todo, posicionamento esse que lhe conferiu a liderança natural da bancada ruralista.
 
 
Diabético e hipertenso, Jonas Pinheiro foi vencido. Após 10 dias em coma, vítima de falência múltipla dos órgãos fechou os olhos para sempre em 19 de fevereiro de 2008, portanto há dois anos.
 
Sem Jonas Pinheiro o agronegócio perdeu seu intransigente defensor, ficou sem sua voz serena, mas firme quando preciso. Seu adeus não desestabilizou o setor que tanto defendia, porque nas diferentes frentes de lutas travadas pela razoabilidade do sistema financeiro capitaneado pelo Banco do Brasil com orientação do Ministério da Fazenda, o produtor rural conseguiu romper alguns grilhões que o faziam avançar, mas para a retaguarda.
 
Jonas Pinheiro não ganhava espaço constante na mídia. No entanto, para o produtor rural era quase onipresença, quer seja com seus encaminhamentos, quer seja com conselhos, quer seja abrindo portas, quer seja fazendo dele a luta que era dos homens que produzem alimentos, geram emprego e contribuem decisivamente para o bom desempenho da balança comercial brasileira.
 
Mato Grosso deve agradecer aos céus pelos 25 anos de vida pública do senador Jonas Pinheiro. Querer mais tempo e trabalho de um de seus filhos seria até ato de egoísmo. Fisicamente Jonas Pinheiro não se encontra mais entre os seus liderados. Está num plano superior, mais próximo de Deus para clamar por seus seguidores em Mato Grosso.