Projeto quer erradicar doenças

Qui, 22/10/2009
Folha do Estado
Felipe Barros
Fotos Embrapa MS 471.jpg

Para impulsionar uma melhora na qualidade de vida dos bovinos e bubalinos, foi lançado no Rio Grande do Sul um projeto- piloto que objetiva o controle e a erradicação da tuberculose e da brucelose nos rebanhos das pequenas propriedades.
 
A medida faz parte do Plano de Saúde Animal da Microrregião da Comarca de Arroio do Meio e será implantada de acordo com a metodologia do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (PNCEBT), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
 
Segundo o chefe do Serviço de Sanidade Agropecuária da Superintendência Federal de Agricultura do Rio Grande do Sul (SFA/RS), Bernardo Todeschini, o projeto tem como objetivo controlar a tuberculose e a brucelose primeiramente em 2.728 pequenas propriedades rurais dos municípios da região da comarca (Arroio do Meio, Capitão, Coqueiro Baixo, Nova Bréscia, Pouso Novo e Travesseiro), em aproximadamente um ano e meio, além de conquistar certificação oficial do Mapa.
 
Bernardo Todeschini conta que o grande enfoque do projeto é que todos os agentes participantes estão unidos para sanear toda essa região infectada que acomente o rebanho dessas pequenas propriedades.
 
“A nossa preocupação não é só com os animais dessas pequenas propriedades, mas também com os produtores, pois a tuberculose e a brucelose são identificadas como zoonoses, ou seja, enfermidades que se transmitem dos animais para os homens ou dos homens aos animais”, preocupa Todeschini.
 
Ele explica que a evolução crônica dessa microbactéria pode ocasionar sérios danos ao produtores com seu rebanho, pois a doença é diagnosticada, geralmente, no seu estágio final. “O animal sofre grande perda de peso e na produção de leite, podendo também apresentar abortos, infertilidade e consequentemente a morte do animal”, diz.
 
De acordo com Todeschini, o projeto será um marco histórico na evolução da pecuária leiteira e respectiva cadeia produtiva no Rio Grande do Sul e no país, pela preservação da saúde pública e pela valorização dos animais, do leite e seus derivados. “Vemos com bons olhos esse projeto, pois através dele estamos qualificando também muitos dos nossos profissionais”, conta Todeschini.
 
O veterinário da Acrimat Leonardo Assad explica que aqui em Mato Grosso a prevalência da tuberculose é muito pequena, especialmente em gados de corte.
 
Segundo ele, o rebanho mato-grossense é mantido em campo e a doença é mais facilmente transmitida em ambientes fechados, mesmo porque essas microbactérias são transmitidas de um animal para o outro.
 
“Não que não possa ocorrer esse tipo de doença em animais mantidos a campo, mas ao ar livre é muito mais dificil a transmissão, pois tem que haver o contato entre os animais”, explica.
 
Assad fala que a preocupação aqui no Estado são com os bovinos leiteiros, principalmente com relação à brucelose, porém, a prevalência é mínima comparado ao de outros estados.