Entidades demonstram preocupação

Seg, 02/03/2009

O presidente do Sindicato das Indústrias Frigoríficas do Estado (Sindifrigo), Luiz Antônio Freitas Martins, diz que a situação atual é reflexo da crise financeira, da redução da oferta de bois e dos elevados preços da arroba no ano passado.
 
Segundo ele, a falta de crédito para os importadores refletiu diretamente nas vendas dos frigoríficos. “As exportações caíram e passamos a adotar preços menores, com margens de lucro cada vez mais achatadas. Isso acabou inviabilizando a atividade para algumas plantas”, explicou.  
 
O diretor-executivo da Associação dos Proprietários Rurais de mato Grosso (APR/MT), Paulo Resende, também está preocupado com a situação. “É mais um frigorífico que está passando por uma dificuldade financeira. É uma grande rede, mas a paralisação tem uma repercussão muito ruim dentro da cadeia pecuária”.  
 
Resende destaca ainda que os donos do frigorífico “foram muito responsáveis” em anunciar a paralisação, ao invés de continuar trabalhando e não honrar os compromissos. “Esta atitude foi uma demonstração de respeito ao pecuarista e reflete a transparência da indústria na relação com os fornecedores”.  
 
“A situação é extremamente preocupante e requer o envolvimento de toda a cadeia produtiva e governo na tentativa de buscar uma saída”, disse ontem o presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Estado (ACN/MT), José João Bernardes.
 
Segundo ele, o governo federal precisa encontrar uma saída urgente para a questão do crédito para a indústria.  “Esta notícia [do fechamento da rede Independência] nos deixou muito apreensivos e demonstra que o problema não é só de gestão. Falta crédito para a indústria realizar o giro da mercadoria”, disse o superintendente da Associação dos Criadores do Estado (Acrimat), Luciano Vacari.  
 
ALTERNATIVAS – Quando soube da paralisação dos abates do Independência, na última quinta-feira, Vacari estava em São Paulo, justamente para tratar de medidas que possam resguardar o pecuarista de possíveis calotes no Estado. “Estamos vendo que os problemas deste elo da cadeia são sistêmicos e por isso iniciamos contatos com seguradoras para que se elaborem produtos que possam garantir a renda do pecuarista.
 
A formatação das propostas está avançando e acredito que até a próxima semana poderemos ter contato com um esboço do que o mercado de seguros poderá nos oferecer”.  No último dia 20, a Acrimat revelou a ponta do iceberg no segmento, ao denunciar que alguns grupos frigoríficos não estavam honrando os pagamentos aos pecuaristas.