Pecuaristas querem análise do Cade
A fusão entre o Friboi e o Bertin preocupa os pecuaristas de Mato Grosso, que desde o início da crise financeira mundial, em setembro do ano passado, vêm acumulando prejuízos.
Frigoríficos que entraram em recuperação judicial não pagaram o gado recebido. Segundo cálculos da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), a nova empresa vai controlar 11 frigoríficos no Estado, o correspondente a 28% das 39 unidades industriais existentes no Estado.
Mário Cândia de Figueiredo, presidente da Acrimat, diz que, em função de terem plantas maiores, o Friboi e o Bertin vão responder por 50% da capacidade de abate de gado bovino em Mato Grosso. Ele defende a análise da fusão pelo Conselho de Administrativo de Defesa Econômica (Cade), "pois o monopólio não é salutar, porque fere o principio da livre concorrência".
O Friboi tinha até o ano passado quatro plantas em Mato Grosso (Araputanga, Barra do Garças, Cárceres e Pedra Preta) e neste ano arrendou mais cinco do frigorífico Quatro Marcos, que entrou em processo de recuperação judicial (Alta Floresta, Juará, São José do Quatro Marcos, Vila Rica e Cuiabá. O Bertin tem duas plantas no Estado, em Água Boa e Diamantino.
Mário Cândia diz que os criadores de Mato Grosso têm a receber R$ 150 milhões pelo gado que foi entregue aos frigoríficos que entraram em recuperação por causa da escassez de crédito. Os criadores acompanham os processos do Independência, Arantes e Quatro Marcos. "Só Deus sabe quando vamos receber", desabafou Mário Cândia.






