Pecuaristas em alerta após anúncio
O anúncio da união de dois gigantes da indústria frigorífica brasileira, JBS/Friboi e o Bertin, chegou com preocupação ao setor pecuarista de Mato Grosso, que detém o maior rebanho bovino do Brasil, com mais de 26 milhões de cabeças.
Segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) o Estado possuiu 39 plantas habilitadas com o Serviço de Inspeção Federal (SIF) – que permite comercializar cortes com outros estados e países -. Dessas 10 estão desativadas ou em recuperação judicial, e apenas 29 estão abatendo, sendo que algumas delas, de forma intermitente. Com a união, a nova holding vai somar 11 plantas, ou seja, cerca de 38% dos frigoríficos em funcionamento.
“Isso representa quase 50% da capacidade de abate de Mato Grosso, pois eles ficarão com as maiores plantas. Isso é muito preocupante, pois a concentração é grande. Como entidade representativa, vamos ficar atentos para não permitir que se aproveitem da concentração física e manipulem preços dos animais”, frisa o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Mário Candia.
Em julho a JBS/Friboi arrendou cinco plantas do frigorífico Quatro Marcos localizadas em Cuiabá, Colíder, Juara, Alta Floresta e São José de Quatro Marcos. Além disso, o grupo possui quatro unidades em Araputanga, Barra do Garças, Cáceres e Pedra Preta. O grupo Bertin, tem plantas frigoríficas em Água Boa e Diamantino.
“Será a maior empresa do setor em Mato Grosso e o pecuarista, que já está em um momento difícil, por conta dos preços da arroba e da dificuldade de abater o gado, terá de redobrar a atenção na hora de comercializar o rebanho. Essa é hora de união do setor, para evitar o controle do preço do boi por parte de poucas indústrias”, completou.
A nova holding também vai formar a maior empresa do setor no mundo, com 103 fábricas em quatro países. Até 60% do mercado nacional poderá estar na mão da nova empresa. O negócio ainda não foi fechado e precisará da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), autarquia vinculada ao Ministério da Justiça Brasileiro, para a sua concretização.





