MT: pecuaristas reclamam do preço da carne x boi gordo
Enquanto a arroba de boi para abate caiu de R$ 74 para R$ 69 entre o final de agosto e início de setembro, para o consumidor os preços continuam inalterados. A margem de lucro no mercado chega a 160%. Valor que tem revoltado a classe pecuarista de Mato Grosso.
Segundo o superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari, os frigoríficos têm se aproveitado do período em que muitos locais de abate estão em recuperação judicial para forçar o preço ao pecuarista.
"E época de entressafra e o gado disponível é aquele dos confinamentos. O produtor não pode se negar a vender. Então os frigoríficos abusam", explica. Para ele, não há explicação em o preço não ter baixado também para o consumidor final.
Já o diretor comercial de urna rede de supermercados, Altair Magalhães. diz que não houve quedas significativas no preço da carne para o consumidor, no entanto garante que a carne, há tempos, não está tão barata.
"O consumidor não tem o que reclamar", aposta. Segundo ele, o supermercado não está pagando mais barato, a não ser em alguns cortes. E nesses o repasse é imediato. "Há 30 dias houve uma redução no preço. Hoje permanece estável. O preço teve queda em algumas carnes nobres como a maminha e a alcatra, nas mais procuradas o valor permanece igual", explica.
Um dos motivos de não haver um maior repasse ao consumidor seria o fato dos pecuaristas não estarem mais vendendo boi a prazo. "Devido ao fechamento de muitos frigoríficos e as perdas decorrentes dos produtores, aqueles abatedouros que continuam atuando tiveram que recorrer a empréstimos a fim de pagar o gado à vista. Assim, a queda no preço da arroba compensa os juros", esclarece Magalhães.
Hoje, 70% da carne nacional está voltada ao mercado interno. Além disso, só este ano já caiu 20% o número de exportações, pressionando ainda mais o mercado de carnes.






