Exportações apontam recuo de 20%
As exportações de carnes bovinas de Mato Grosso estão 20% menores em relação aos volumes embarcados no primeiro semestre de 2009, contra o registrado em igual período de 2008. Como apontam dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), as vendas externas somaram 163 mil toneladas de janeiro a junho de 2008 e no primeiro semestre de 2009 foram comercializadas 131 mil de toneladas.
A redução no volume exportado ocorreu nos principais destinos da carne mato-grossense, exceto a China, que subiu 125%, passando de 4 mil toneladas para 9 mil, segundo levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), órgão vinculado à Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato).
“Esse aumento de exportação para China é reflexo da compra de miúdos. Somente neste ano a China comprou mais de 82% de todo o embarque de miúdos. Os US$ 12,6 milhões embarcados de janeiro a julho de 2009 pelos chineses já superam todo o montante exportado em 2007, quando os negócios somaram US$ 10,6 milhões. Nesse ritmo, em setembro, Mato Grosso deve superar o todo o montante exportado em 2008 para a China de miúdos. Os chineses pagam bem e vale à pena mandar miúdos para esse mercado”, frisa o superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari.
Com queda nas exportações de 9 mil de toneladas, a Venezuela registrou a maior baixa no período analisado pelo Imea. De 14 mil caiu para 5 mil toneladas no primeiro semestre de 2009 em relação ao mesmo período de 2008, uma queda de 64%.
“Isso aconteceu porque era mais interessante vender a carne no mercado interno do no externo. A Venezuela consome a carne do dianteiro que é mais barata e o mercado interno está pagando melhor por este tipo de corte”, analisou Vacari.
Ele explica que com a queda das exportações para Europa, por exemplo, que compra carnes mais nobres (traseiro) o consumidor brasileiro está consumindo mais carne de primeira, pois há queda nos preços no varejo. O preço do filé mignon caiu de 32% e o da picanha 33%, enquanto isso a carne de segunda como o músculo subiu 4,53% nesse período de 2008 para 2009.
“É a lei da oferta e procura, mas infelizmente essa queda expressiva nos preços da picanha e filé mignon, o consumidor não sentiu nas gôndolas dos supermercados. A baixa não é repassada nos mesmos patamares à população, o que é uma falta de respeito para nosso consumidor”, aponta o superintendente da Acrimat.
LÍDER - A Rússia, que voltou a exportar carne in natura brasileira no mês passado, ainda continua sendo o nosso principal destino, pois mesmo com uma redução de 4 mil toneladas, o volume exportado foi de 45 mil toneladas no mês de julho. As exportações para o Oriente Médio caíram 3 mil toneladas, acompanhando o atual cenário e para os demais países as exportações saíram de 45 mil, no primeiro semestre de 2008, para 34 mil em 2009.
“A meta é sempre vender para o mercado externo, pois a rentabilidade é sempre maior, e o que não conseguimos colocar lá fora fica para o consumo interno. Hoje 70% do que produzimos fica no Brasil e 30% são exportados. Gostaríamos que esses percentuais fossem invertidos quando analisamos retorno financeiro. Mas, existem momentos em que o mercado interno é mais interessante que o externo e todos estão atentos a essas oscilações”, frisou Luciano Vacari.






