Margem de lucro é de 160%

CADEIA DA CARNE: Pecuaristas denunciam que a valorização ocorre no repasse da carne do frigorífico para o varejo
Qua, 09/09/2009
Folha do Estado

Enquanto a arroba de boi para abate caiu de R$ 74 para R$ 69 entre o final de agosto e início de setembro, para o consumidor os preços continuam inalterados. A margem de lucro no mercado chega a 160%. uma taxa exorbitante que tem revoltado a classe pecuarista de Mato Grosso.
 
 
Segundo o superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari, os frigoríficos têm-se aproveitado do período em que muitos locais de abate estão em recuperação judicial para forçar o preço ao pecuarista.
 
“É época de entressafra e o gado disponível é aquele dos confinamentos. O produtor não pode se negar a vender. Então os frigoríficos abusam”, explica. Para ele, não há explicação em o preço não ter baixado também para o consumidor final.
 
Já o diretor comercial de urna rede de supermercados do Mato Grosso, Altair Magalhães, diz que não houve quedas significativas no preço da carne para o consumidor, no entanto garante que a carne, há tempos, não está tão barata.
 
“O consumidor não tem o que reclamar”, aposta. Segundo ele, o supermercado não está pagando mais barato, a não ser em alguns cortes. E nesses o repasse é imediato. “Há 30 dias houve uma redução no preço. Hoje permanece estável. O preço teve queda em algumas carnes nobres como a marninha e a alcatra, nas mais procuradas o valor permanece igual”, explica.
 
Um dos motivos de não haver um maior repasse ao consumidor seria o fato dos pecuaristas não estarem mais vendendo boi a prazo. “Devido ao fechamento de muitos frigoríficos e as perdas decorrentes dos produtores, aqueles abate douros que continuam atuando tiveram que recorrer a empréstimos a fim de pagar o gado à vista. Assim, a queda no preço da arroba compensa os juros”, esclarece Magalhães.
 
 
 
Hoje, 70% da carne nacional está voltada ao mercado interno. Além disso, só este ano já caiu em 20% o número de exportações, pressionando ainda mais o mercado de carnes. A redução no volume exportado ocorreu nos principais destinos da carne do Estado, exceto a China, que subiu 125%, passando de 4 mil toneladas para 9 mil, segundo levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A previsão é que em setembro, Mato Grosso deve superar todo o montante exportado em 2008 para a China de miúdos.
 
 
 
No primeiro semestre de 2008 Mato Grosso exportou 163 mil de toneladas de carne bovina, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior - Secex do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. No mesmo período de 2009 esse percentual foi de 131 mil de toneladas, com registro de queda de 20%.