Acrimat quer maior prazo para financiamento da pecuária
Cuiabá (MT), 03 de setembro de 2009 – Historicamente o pecuarista, ao contrário da agricultura, não tem a cultura de buscar financiamento para suas atividades através de financiamentos bancários.
“A pecuária não remunera o suficiente para pagar os juros comerciais, ele aprendeu a sobreviver sem recorrer aos bancos, pois não existe uma política de crédito voltada para o setor”, disse o presidente da comissão de crédito da Associação dos Criadores de Mato Grosso – Acrimat, Maurício Campiolo.
Ele explica que a Acrimat vem fazendo um trabalho sistemático em busca de maior prazo para o financiamento da pecuária e menos burocracia, “pois se conseguirmos financiamentos compatíveis vamos melhorar a área de pastagem já existente evitando desmatamentos”.
Nessa direção, a Acrimat teve uma pequena vitória, quando foi aprovada na 49ª Reunião Ordinária do Conselho Deliberativo do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (Condel/FCO), a ampliação do prazo dos financiamentos de investimentos no Programa de Integração Lavoura-Pecuária de seis para oito anos, incluindo até três anos de carência.
“Comemoramos a conquista, mas o pecuarista precisa de um prazo de no mínimo 12 anos com três de carência, para que a tomada do crédito seja viável, por isso continuamos com o pleito”, disse Campiolo.
O Imea - Instituto de Economia Agropecuária fez uma análise de viabilidade econômica sobre a ótica dos pecuaristas e dos agricultores, quanto a integração pecuária/ lavoura , considerando a realidade do produtor de Mato Grosso, em termos do tamanho da propriedade e produtividade da pecuária.
Na ótica do pecuarista, para fazer a integração pecuária / agricultura, de forma viável economicamente, o prazo do financiamento deve ser de 12 anos, com três anos de carência para que o produtor tenha uma TIR (Taxa Interna de Retorno) de 7,45%. Mato Grosso possui custos de produção elevados e acima da média brasileira, devido a logística, clima, solo e outros itens do processo de produção.
Em busca de alternativas para financiar a atividade pecuária a Acrimat está fazendo uma parceria com o Banco do Brasil. O gerente de segmento do Banco do Brasil, Anderson Scorsafava, disse que atualmente, o Banco do Brasil tem R$ 1.78 bilhões aplicados na pecuária nos setores empresarial e familiar, num total de 94 mil contratos “e nossa intenção é ampliar esse montante e atender a essa importante atividade econômica da nossa região”.
Segundo Scorsafava, “as reivindicações da Acrimat de ampliação de prazos e agilidade no processo de tomada de recursos serão levadas para serem analisadas, pois já existe um grupo no Banco do Brasil para estudar as demandas de mudanças”.
O gerente do Banco do Brasil disse que o Banco do Brasil possuiu diversas linhas de crédito voltadas para a pecuária, como o BNDES Produsa. “É uma linha de investimento com recursos do BNDES voltada para a atividade pecuária relacionada à correção e conservação de solos, recuperação de pastagens, sistematização de várzeas e ações de adequação e preservação ambiental”, explica.
Nesse caso, os valores máximos são até R$ 400 mil, por beneficiário, quando se tratar de projetos produtivos destinados à recuperação de áreas degradadas e de R$ 300 mil, por beneficiário, nos demais casos. Os encargos financeiros para projeto destinado à recuperação de áreas degradadas é de taxa efetiva de juros de 5,75% a.a e os demais projetos a taxa é de 6,75% a.a..
O prazo de pagamento para sistemas produtivos de integração agricultura, pecuária e silvicultura, quando a componente silvicultura estiver presente e de até 144 meses, incluídos até 24 meses de carência; para correção de solo, até 60 meses, incluídos até 6 meses de carência, admitida a carência de até 24 meses, se a peculiaridade do empreendimento necessitar; e os demais o prazo é de até 60 meses, incluídos até 24 meses de carência, podendo atingir até 96 meses.
O Banco do Brasil também tem uma linha destinada às feiras agropecuárias e eventos do setor. O Investimento MCR 6.2 é uma linha que financia a pecuária até o valor de R$ 200 mil por beneficiário a cada safra/ano, encargos préfixados de 6,75% a.a. (prazo até 5 anos) podendo este montante ser complementado com recursos com MCR 6-4 não controlado, com encargos também prefixados, situados entre 12,507% a 14,763% a.a. (prazo até 3 anos e taxa sujeita à alteração até a data da contratação); e percentual de financiamento de 80 % do orçamento.
O prazo e de até dois anos, estabelecido de acordo com o cronograma de receitas previsto no orçamento para aquisição de animais para cria, recriação, recriação e engorda conjuntamente e engorda em confinamento.
Outra linha de crédito é o FCO Rural para pecuária de corte e aquisição de matrizes padrão Prommepe (Programa Mato-grossense de Melhoramento da Pecuária). O financiamento pode chegar a R$ 10 milhões por tomador com prazo para aquisição de matrizes e reprodutores em até 6 anos incluídos dois anos de carência e de novilhos(as) até 18 meses.
Os encargos para miniprodutores, suas cooperativas e associações, a taxa efetiva de juros é de 5% a.a.; pequenos produtores a taxa é de 6,75% a.a.; médios produtores juros de 7,25% a.a.; e grandes produtores juros de 8,50% a.a..







