Destaque este ano vai para vendas de miúdos bovinos

Ter, 01/09/2009
A Gazeta
Fabiana Reis

Enquanto as exportações de carne bovina in natura estão em queda, as vendas externas de miúdos apresentam números satisfatórios. De janeiro a julho deste ano foram embarcados US$ 15,396 milhões, o que corresponde a 67,7% de toda a cifra registrada no ano passado, que totalizou US$ 22,718 milhões nos 12 meses. Já em volume, foram vendidos em 2008 11,355 mil toneladas e nos primeiros sete meses de 2008, a quantidade soma 6,991 mil, o que equivale a 61,5% do total do ano anterior.
 
 
Os dados são do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), que mostram que o grande importador de miúdos de bovinos do Estado é a China. Do total faturado no ano passado, US$ 16,191 milhões foram para aquele mercado e este ano o valor já chega a US$ 12,651 milhões. Em quantidade, trata-se de uma importação de 4,759 mil toneladas somente de janeiro a julho pelos chineses, contra 6,809 mil (t) nos 12 meses de 2008.
 
 
O presidente do Sindicato das Indústrias Frigoríficas de Mato Grosso (Sindifrigo-MT), Luiz Antônio Freitas, explica que estes miúdos são partes dos bois que não são consumidas no mercado interno, mas que têm demanda interessante por parte da China, especialmente Hong Kong. "Exportamos tendão, aorta (veia), medula e retículo e omaso (partes do estômago do animal), que apesar de não terem um valor agregado tão grande, ajuda na somatória das exportações", considera o presidente ao afirmar que os preços do produto caíram, e que em compensação o volume negociado aumentou.
 
 
Para o superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari, este movimento é decorrente da crise e dos embargos à carne, que provocaram uma retração de 1,63% no mercado mundial na comparação com o ano anterior. "Esse cenário levou o setor a buscar novos mercados. As indústrias se sentiram obrigadas a procurar novas alternativas e um intenso trabalho foi feito"
 
 
Na opinião do superintendente este nicho de mercado vem crescendo e antes, o que era considerado subproduto e era até mesmo descartado, hoje é aproveitado, inclusive para exportação. "O que precisa ser feito é uma distribuição melhor desses benefícios e que chegue a toda cadeira produtiva, pois o pecuarista só recebe pela carne e não fica com nenhum benefício da comercialização".