Pecuarista quer raça melhor

Objetivo é obter máxima eficiência produtiva, segundo o médico veterinário e gerente da Acrimat
Qua, 19/08/2009
Folha do Estado
Silvana Bazani

Melhorar geneticamente o rebanho bovino tem sido uma preocupação de um número crescente de pecuaristas em Mato Grosso. Os criadores recorrem à melhoria genética de bovinos tanto para o rebanho comercial, caracterizado pela produção de boi gordo, quanto para o rebanho de elite, destinado ao aperfeiçoamento da raça.

 
A seleção de raça busca alinhar três características principais: eficiência reprodutiva, ganho de peso e rendimento e acabamento de carcaça. O objetivo é obter a máxima eficiência produtiva, segundo o médico veterinário e gerente de projetos da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Leonardo Assad.
 

 

De acordo com o vice-presidente da Acrimat, Ricardo Arruda, um reprodutor P.O. (puro de origem) é suficiente para atender 30 matrizes. Em todo o Estado, há oito milhões de matrizes, com idades estimadas em 36 meses.
 

 

Envolvidos com a criação de animais geneticamente melhorados são 750 criadores, associados à Associação Brasileira dos criadores de Zebu (ABCZ). Em todo país, são 17 mil associados.
 

 

O pecuarista Olímpio Risso de Brito, da Fazenda Cangayan, afirma que o preço médio de um reprodutor varia entre R$ 3,8 mil e R$ 4 mil, em condições normais. Um animal comum, quando vendido para abate, alcança no máximo R$ 1,4 mil.
 

 

“Os melhoristas estão investindo”, avalia Leonardo Assad. “Tem aumentado muito a busca por esses animais geneticamente superiores”, afirma.
De acordo com o proprietário da Fazenda Cangayan, o investimento é considerado alto para a atividade pecuária, quando considerada apenas a produção de animais P.O. O retorno, neste caso, é de médio e longo prazo. Ou seja, entre seis a dez anos.
 

 
Se o foco for apenas melhorar a produtividade, o retorno é mais rápido, explica o pecuarista. “O retorno é no ano subsequente”, diz. Segundo Olímpio Risso, o prazo para abate é encurtado em seis meses, a partir da melhoria do rebanho. “Passa a ter um valor agregado maior”, lembra. “O animal vai emprenhar mais cedo e vai ter um peso maior”, analisa. “O preço também é melhor”, observa Olímpio.
 
 
Nesses casos, diz, um animal em desmame pode ser negociado com os frigoríficos por até R$ 800, enquanto o preço médio alcançado pelo animal normal é de R$ 600.
 Ele lembra que o custo médio de permanência de um único animal no pasto varia entre R$ 15 a R$ 20 no mês.
Com a melhoria genética, a tendência é que os animais herdem as características dos P.O. “Eles repassam essas características para outros animais”, lembra.
 
 
De acordo com Ricardo Arruda, a média dos leilões de reprodutores realizados em Mato Grosso é alta. Ele diz que na região de Sinop um reprodutor da raça nelore pode ser comercializado por até R$ 5,6 mil.
 
Preço médio de um reprodutor varia entre R$ 3,8 mil e RS 4 mil, em condições normais; a média dos leilões de reprodutores realizados no Estado é alta.
SELEÇÃO Eficiência reprodutiva, ganho de peso e rendimento e acabamento de carcaça são as metas