Tecnologia é imprescindível
O desenvolvimento tecnológico tornou-se elemento fundamental no setor da pecuária de corte, especialmente por causa de situações como alto custo do frete, instabilidade da oferta durante o ano em função de condições climáticas, concorrência de diferentes atividades, entre outras. Produzir de forma eficiente e eficaz tornou-se sinônimo de sobrevivência e permanência no negócio e o melhoramento genético é uma das principais ferramentas. Pouco adianta melhorar a alimentação por meio de pastagens bem manejadas e suplementação concentrada e mineral, se o rebanho não possuir potencial genético capaz de responder a esses investimentos.
Na fazenda Santa Elina, localizada no município de Rosário Oeste, o pecuarista Hermes Botelho de Campos, há mais de 30 anos investe em tecnologia, sendo que desde 2002 realiza inseminação artificial. Hoje, dentro da propriedade há laboratórios de transferência de embriões, com médico veterinário e técnicos disponíveis para realizar os trabalhos. Tudo isso fez com que ele se tornasse um dos principais produtores de gado Puro de Origem do Estado (P.O), com cerca de 2.000 cabeças. Em 2010 Botelho recebeu o prêmio de melhor criador do Estado. A vaca de nome Energética da Santa Elina foi premiada com a medalha de ouro como a melhor matriz. "Para que a criação de gado de corte tenha sucesso, temos que ter qualidade genética, proporcionada pelos animais com genética pura", avalia.
Durante a 47ª Expoagro, principal palco do agronegócio mato-grossense, os dois primeiros leilões de gado de corte comercializaram 4.456 animais e faturam R$ 2,8 milhões, o que mostra que a atividade está em franco desenvolvimento. O primeiro leilão de gado de corte vendeu 3.160 cabeças com um faturamento de R$ 2,1 milhões e o segundo vendeu 1.296 animais com um faturamento de RS 726,00 mil.
Segundo Botelho, outro aspecto de extrema importância e que tem influência direta nos sistemas produtivos é a preocupação com a sustentabilidade. Os pecuaristas brasileiros, nos próximos anos, têm como objetivo o fortalecimento como fornecedores mundial de carnes, com reflexos positivos na captação de divisas para o país, além do potencial de incremento de consumo de carne bovina no mercado interno. Já em relação ao mercado externo, é importante ressaltar as exigências de controle ambiental colocadas pelos países ricos, que se traduzem em imposição de padrões de requerimentos semelhantes para as importações. Nesse contexto, torna-se fundamental que se atendam às exigências sanitárias, envolvendo tanto a questão de saúde do rebanho, como de saúde pública.
Dessa forma, a inserção definitiva da carne bovina brasileira na economia mundial e o seu fortalecimento interno nas próximas décadas, dependem da capacidade que os sistemas de produção e os demais segmentos da cadeia de produção tenham de disponibilizar produtos saudáveis e de utilizar de forma conservacionista os recursos não-renováveis; bem como garantir o bem-estar social, aumentando a participação no mercado externo.








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