Exame andrológico aumenta lucros

Ter, 18/08/2009
A Gazeta
Wisley Tomaz

Em nome de uma suposta economia, alguns pecuaristas deixam de fazer alguns procedimentos que, ao contrário do que pensam, podem dar lucros e aumentar a fertilidade do seu rebanho. O gerente de projetos da Associação dos Criadores do Estado de Mato Grosso (Acrimat), o médico veterinário Leonardo Assad, fala da importância, por exemplo, do exame andrológico em bovinos.
 
"Sabemos da resistência de alguns pecuaristas em realizar este exame, seja por acreditarem que estão economizando no pagamento dos honorários dos veterinários, seja por acharem desnecessário. O que é um erro".
 
O veterinário explica que para uma melhor fertilidade do plantel, cuidados com exames clínicos, sanitários e andrológicos são imprescindíveis para animais usados como reprodutores, além de melhores critérios de seleção genotípica e melhor manejo.
 
O exame andrológico completo deve incluir a avaliação clínica do animal, observando-se o histórico da vida reprodutiva e a avaliação do estado geral, do sistema locomotor, dos órgãos genitais internos e externos, dos aspectos físicos e morfológicos do sêmen, bem como do comportamento sexual. Após os exames, as informações são avaliadas obedecendo critérios internacionais e os animais podem ser classificados em aptos ou satisfatórios para a reprodução; questionáveis, devendo aguardar novos exames; ou inaptos e insatisfatórios para a reprodução, devendo ser castrados e descartados.
 
O veterinário explica que na bovinocultura de corte a fertilidade é uma das mais importantes características zootécnicas, principalmente quando se trata de produtores de bezerros. Segundo ele, quando se discute isoladamente a fertilidade do macho, está sendo considerada sua importância em relação à vaca.
 
Já que o touro se acasala com cerca de 30 vacas, tanto na monta natural como na inseminação artificial. Por isso, os de baixa fertilidade, se não detectados, podem permanecerem um longo tempo no rebanho, causando grandes prejuízos na produtividade do sistema.
 
As principais causas de baixa fertilidade ou de infertilidade em touros criados no Brasil, independentemente da constituição genética, são degeneração testicular, maturidade sexual retardada, hipoplasia testicular e espermiogênese imperfeita. Todas essas causas acontecem em conseqüência de fatores do ambiente desfavorável e do manejo indesejável, bem como da origem genética.
 
Como ferramenta fundamental para auxiliar o pecuarista no manejo reprodutivo, o exame andrológico completo dos touros serve para evitar perdas econômicas causadas por subfertilidade e infertilidade. O exame, realizado por um médico veterinário, deve ser feito antes do período de estação de monta de modo a possibilitar tempo suficiente para a substituição dos touros inférteis e adaptação dos touros adquiridos.
 
Os touros a ser examinados não podem ter sofrido restrição alimentar durante a seca, pois a deficiência alimentar severa pode interferir na capacidade reprodutiva e na qualidade do sêmen.
 
Após o exame andrológico e obtenção de resultados satisfatórios, outro fator importante a ser determinado para melhor adequar o manejo reprodutivo dos touros é a relação touro/vaca.