Falta vacina no Estado

Qui, 16/06/2011
Laís Costa Marques
A Gazeta
vacinação aftosa_crédito Indea_Secom.jpg

Desabastecimento no segmento de vacinas para gado faz com que o preço das doses aumentem até 300% no mercado mato-grossense e os pecuaristas ainda temem ser penalizados por não comunicar ao Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea) a imunização do rebanho.
 
O problema atinge medicamentos que previnem os animais da brucelose e que devem ser aplicados em novilha com idade entre 3 e 8 meses.
 
Ainda não há um motivo oficial que explique a falta de vacinas no mercado. De 3 lojas procuradas pela reportagem de A Gazeta, em nenhuma delas havia doses disponíveis. De acordo com o vendedor da Agroamazônia, Carlos Bezerra, nenhum laboratório está fornecendo o medicamento e quando tem, o preço está elevado. Afirma que no final do ano a dose custava R$ 0,50 e que agora têm lojas agropecuárias comercializando por até R$ 2.
 
Segundo o representante comercial do laboratório Merial, Carlos Godoy, o mercado começa a ser reabastecido, mas ainda não há previsão de quando irá retornar à normalidade. Também afirma que não foram apresentados os motivos que levaram ao problema.
 
Indea obriga os produtores rurais a informarem no final de cada semestre os animais imunizados, estando sujeitos a multa em caso de atraso ou de serem obrigados a sacrificar o gado que não recebeu a vacina. Porém, diante da situação, a responsável do instituto pelo controle e erradicação do doença, Jociane Tuixadeira, afirma que os pecuaristas não serão penalizados e assim que a situação estiver regularizada haverá fixação de novos prazos.
 
Ainda segundo Jociane, o Ministério de Agricultura (Mapa) não se pronunciou oficialmente sobre as causas da falta de vacinas e os laboratórios acusam a pasta de ter barrado um lote de medicamentos.
 
O médico veterinário Maurício Piona explica que a brucelose é uma doença causada por uma bactéria que provoca o aborto nas fêmeas. Complementa que os animais só podem ser vacinados entre 3 e 8 meses porque antes deste tempo as novilhas não possuem imunidade e depois a vacina causa resultado positivo no exame, o que leva o animal a ser sacrificado posteriormente.
 
Superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari, explica que a entidade solicitou a prorrogação dos prazos para vacinar e comunicar o Indea e que há a informação de que nenhum produtor será penalizado.
 

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