Recusada proposta de pecuaristas

Qui, 13/08/2009
A Gazeta
Fabiana Reis

Depois de os pecuaristas mato-grossenses rejeitarem o Plano de Recuperação Judicial apresentado pelo frigorífico Independência, agora chegou a vez da companhia recusar a proposta dos criadores estaduais. Em reunião realizada em Brasília entre credores locais, de Mato Grosso do Sul, Rondônia, Minas Gerais e Goiás e a diretoria do frigorífico na última quinta-feira (6), ainda não se chegou a um acordo.
 
De um lado, os pecuaristas locais querem o pagamento de 100% da dívida, com data certa, além de juros e correções. O frigorífico Independência, por sua vez, insiste no pagamento à vista e sem descontos para credores com débitos de até R$ 80 mil, o que irá beneficiar 64% dos pecuaristas de todo o país. Para liquidar o débito, a empresa precisa de recursos no valor de R$ 330 milhões, que serão oriundos de novo financiamento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
 
Para o superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari, a não aceitação da proposta por parte da diretoria da planta faz com que os pecuaristas do Estado reafirmem a rejeição ao plano de recuperação.
 
Ele diz que o pecuarista não vai aceitar colocar o gado em uma operação, considerada de risco. "Eles querem o boi do pecuarista para rodar a empresa e fazer capital de giro", diz ao acrescentar que os credores do Estado devem permanecer atentos à data para apresentar objeções ao plano, que vai até o dia 15 deste mês.
 
O frigorífico Independência argumenta, por meio de nota, que acredita "ter apresentado uma proposta justa aos fornecedores, dentro da realidade econômica da Companhia, que prevê o pagamento de 100% da dívida dos fornecedores na seguinte forma: um pagamento inicial de R$ 80 mil por credor, com o restante do crédito pago em 36 parcelas iguais mensais". Conforme o frigorífico esta é uma proposta "excelente" se comparada a outras reestruturações, em que há descontos ou períodos de carência de 1 a 2 anos antes do primeiro pagamento.
 
A companhia explica que continua buscando o diálogo com a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e representantes da classe para entender as considerações e necessidades dos produtores e assim, buscar uma solução aceitável e economicamente viável para todos. Até agora foram quatro reuniões após a apresentação do plano.