60% das fazendas do Estado não estão aptas a exportar carne
Cerca de 60% das fazendas que estão sendo auditadas pelo Ministério de Agricultura (Mapa) não estão preparadas para exportar carne à União Europeia. A informação é da coordenadora do Sistema para Certificadora de Rastreabilidade de Rebanhos Bovino e Bubalinos (Sisbov) da superintendência regional do Mapa, Patrícia Cristina Borges Dias.
Ela afirma que, apesar das reclamações insistentes do setor pela morosidade no processo de habilitação das fazendas mato-grossenses, a maioria das propriedades não está de acordo com as exigências do mercado europeu.
“Apenas 40% se enquadram nas regras de qualidade”, ressalta Dias. Segundo ela, de janeiro a julho deste ano, foram habilitadas 155 fazendas, mas 492 ainda estão na fila de espera. Ela explica que a demora nas attditorias deve à falta de pessoal. “Temos 21 auditores do Mapa e outros 38 do Indea. No entanto, o governo do Estado cancelou os recursos para pagar as diárias dos novos contratados”.
Esse atraso, segundo o superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari, resultou na queda das exportações de produtos mato-grossenses para a União Europeia. Conforme dados do último levantamento feito pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), foram exportados 4,08 milhões de quilos, decréscimo de 65,62% em relação ao ano anterior.
“Os dados apontam que a maior queda foi registrada entre 2007 e 2008, quando a União Europeia passou a exigir que o Ministério da Agricultura e Pecuária fizesse a auditoria das propriedades habilitadas para exportar para o bloco. Nesse período houve uma grande queda tanto do volume (74,37%) quanto do valor”, analisou Vacari.
Conforme ele, Mato Grosso possuiu hoje apenas 203 propnedades aptas a exportar para União Europeia. Vacari acrescenta que enquanto não for resolvido o problema de falta de estrutura do Mapa para realizar as auditorias, o Estado e o país correm o risco de perder o bloco europeu como importador.
Mas a coordenadora do Sisbov da superintendência regional do Mapa afirma que ainda este mês o ministério firmará um convênio para repassar recursos ao Estado, com o intuito de contratar mais auditores. “Isso deve acelerar as vistorias nas fazendas”, explica.
Cota Hilton - Com a entrada de Romênia e da Bulgária na comunidade europeia, o Brasil terá o direito de exportar 10 mil toneladas, ao invés de 5 mil toneladas anuais. No entanto, o país usou apenas 25% do volume possível, ou seja, para aproveitar a nova cota o Brasil terá que aumentar em 715% as exportações para a União Europeia.






