Mosca-do-chifre traz danos

Qui, 14/10/2010
Luiz Perlato
Folha do Estado
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Com o início da temporada das chuvas, alguns problemas que preocupam os produtores rurais e a agropecuária em geral deixam de existir, enquanto outros reaparecem. Um problema que volta a desafiar os pecuaristas é o da mosca-do-chifre. A moscado-chifre, presente em todo o território nacional, é um inseto pequeno, mas que causa grandes danos à saúde animal. Em determinadas épocas do ano, as mais chuvosas, a infestação aumenta e a erradicação é considerada praticamente impossível.
 
Para um controle eficaz, os pecuaristas devem conhecer o ciclo de vida do inseto e adotar o tratamento mais adequado. Segundo a médica vetennária Miliena Vandoni, nova gerente de Projetos da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), a melhor maneira de combater essas moscas é fazer o controle estratégico, planejando as aplicações e respeitando o período de tempo entre uma e outra aplicação, para que os insetos não desenvolvam resistência aos inseticidas utilizados. Outra alternativa no combate à mosca-do-chifre, revela Miliena, é a introdução do besouro africano (Digitonthophagus Gazeila) - que se alimentam de fezes frescas de bovinos, onde a temida mosca põe seus ovos.
 
Desde que a Embrapa Gado de Corte importou da África, em 1989, casais de besouros da espécie /Digitonthophagus gazella!, para controlar a temida praga da mosca-do-chifre, que o interesse dos produtores em adquirir exemplares do inseto não parou.
Segundo os pesquisadores, além impedir a proliferação da mosca-do-chifre a introdução do besouro africano traz outros beneficios diretos, como o aumento da fertilidade do solo, aeração e, consequentemente, capacidade de suporte das pastagens; a destruição de larvas de vennes gastrintestinais e a eliminação dos ovos da mosca que se desenvolvem nas fezes frescas dos animais.
 
De acordo com Miliena Vandoni a homeopatia também tem sido usada com sucesso no combate à mosca-do-chifre, como a adição do alho ao sal mineral ou à ração, e a pulverização com óleo de neem ou a utilização da folha de neem moída e adicionada à ração. Mas a médica veterinária ressalta que, quando utilizar inseticidas convencionais, o produtor deve fazer atenção e obedecer o período de carência para abate dos bovinos e consumo do leite.
 
Para o médico veterinário, Gabriel Sandoval, um dos métodos mais eficazes no tratamento e controle da mosca-do-chifre é o uso do brinco mosquicida, que segundo ele protege os animais poraté 150 dias. “A mosca-do-chifre se alimenta de sangue e pica o animal de 25 a 40 vezes por dia. Cada sucção pode durar de quatro a cinco minutos. Em anos de maior temperatura e umidade são maiores as chances de infestação”, alerta Sandoval.
Estudos apontam que os prejuízos com a mosca-do-chifre chegam a US$ 150 milhões ao ano no Brasil. Uma infestação média de 500 moscas pode levar a uma perda média de 40 kg/animal/ano e cerca de 150 litros de leite durante toda a lactação. Sorna-se a isso a perda de sangue e os efeitos irritantes da picada que comprometem a alimentação tranquila do animal, diminuindo sua produtividade.
 

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