BBM faz parcerias para fomentar venda de carne via operações no mercado financeiro

O objetivo é criar uma nova cultura de comercialização assegurando o pagamento aos produtores
Ter, 17/08/2010
Nestor Tipa Júnior - Rádi Gaúcha
Canal Rural
Diário de Cuiabá
Confinamento - Diário de Cuiabá

O programa Bolsa da Carne, lançado pela Bolsa Brasileira de Mercadorias para fomentar venda de carne via operações no mercado financeiro, teve poucas negociações até o momento. Lançado em abril, o projeto até agora negociou 465 cabeças de gado, num total de pouco mais de R$ 500 mil em comercialização. A previsão inicial era de um volume de negócios em torno de R$ 2,5 bilhões ainda este ano.
 
Segundo o assessor de novos produtos da Bolsa, Edílson Alcântara, ainda é preciso criar uma nova cultura no setor.
 
- Estamos trabalhando com mudança de cultura. Estamos falando de um negócio que há mais de 100 anos é feito do mesmo jeito. O pecuarista liga para o frigorífico, o frigorífico vai lá e abate. Isso vem de várias gerações - afirma.
 
A medida recebe apoio do setor produtivo. Mas para o coordenador do Centro Boi, da Federação da Agricultura do Mato Grosso, Francisco de Assis Amaral, é preciso que o produtor demonstre interesse na operação.
 
- O produtor tem que querer. Ele tem o poder de fogo na mão. Se ele quiser negociar via bolsa, tem que bater o pé e dizer que só negocia via bolsa.
 
Segundo as regras do chamado Bolsa da Carne, as indústrias precisam depositar 90% do valor dos animais 48 horas antes da retirada do gado. Os outros 10% precisam ser depositados em até dez dias úteis na conta de liquidação da bolsa. Quem não cumprir o contrato paga multa de dez por cento à parte lesada. Amaral reclama que muitos frigoríficos não querem aderir à Bolsa.
 
- Não tem muito frigorífico que queira aderir. Se uma das partes não quer, aí fica difícil.
 
Para Alcântara, os pecuaristas devem ficar atentos com as negociações diretas com a indústria, principalmente num momento em que o mercado sofre com a inadimplência dos frigoríficos.
 
- É um processo que estamos vivenciando. Temos que convencer os frigoríficos de que este é um bom negócio para eles também. E o pecuarista também não pode dar crédito para os frigoríficos porque quem dá crédito é banco.
 
O representante da Bolsa Brasileira de Mercadorias informa que parcerias com federações de agricultura estão sendo feitas para divulgar e fomentar o programa. Alcântara afirma que a receptividade dos produtores quanto aos moldes da operação é positiva.
 
A reportagem procurou representantes da indústria para comentar o assunto, mas não houve retorno.

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