Pagamento antecipado
Para o superintendente da Acrimat, Luciano Vacari, os frigoríficos têm manifestado desinteresse pelo sistema do Boi na Bolsa para evitar o pagamento três dias antes do abate do gado. Ele considera no entanto que os pecuaristas também têm tido uma parcela de culpa pelo fraco desempenho do novo sistema de comercialização do gado. “Para que a bolsa funcione, é necessário que haja a vontade do comprador e também do vendedor, que no Brasil inteiro e mesmo em Mato Grosso não está acontecendo”, diz Vacari. “Os pecuaristas que participam desse sistema de venda têm que demonstrar uma verdadeira quebra de paradigma.
O pecuarista ainda è habituado ao sistema tradicional de venda, em que ele telefona para o frigorífico que paga o melhor preço e negocia diretamente. Já a bolsa é uma comercialização mais fria, onde não existe esse contato, mas se trata de uma ferramenta bastante interessante, por ser uma modalidade de comercialização que elimina o risco de calote”. Já o médico veterinário do CentroBoi, da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Francisco Amaral, observou que o governo federal, através do BNDES, está ajudando os mega frigoríficos a se reestruturarem, mas está esquecendo dos pequenos frigoríficos. “Na competitividade entre os grandes e os pequenos, o grande leva vantagem porque consegue comprar ele paga à vista, enquanto que o pequeno tem que pagar mais para conseguir escala”.
Na hora da venda, segundo a avaliação de Amaral, os pecuaristas preferem vender para os grandes frigoríficos, que apesar de pagar menos oferecem maior segurança, e os pequenos frigoríficos não têm as mesmas condições - inviabilizando o sistema de operações através da bolsa eletrônica. (LP)







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