Bolsa de Carne não atrai em MT
Após quatro meses de lançamento da Bolsa de Carne em Mato Grosso, os pecuaristas ainda não se cadastraram no novo sistema de compra e venda de gado. O sistema eletrônico, via internet, lançado no Estado em abril pela Federação da Agricultura e Pecuária (Famato), ainda encontra resistência dos frigoríficos.
No país, a Bolsa da Carne negociou apenas R$ 508,5 mil, com a venda de 465 cabeças de gado. Outros 800 bois foram ofertados, mas não tiveram compradores. Esta semana mais um lote de 40 cabeças não despertou interesse dos frigoríficos. A Bolsa, controlada pela BM&F/Bovespa, previa inicialmente um volume de R$ 2,5 bilhões em negócios para 2010.
De acordo com Francisco Assis do Amaral, coordenador do Centro Boi – central de comercialização que tem o objetivo de despertar o interesse dos frigoríficos –, a BM&F/Bovespa enviou proposta para o Banco do Brasil prevendo que o desconto da duplicata para o empresa que aderir à Bolsa da Carne pode chegar a 1,7% nos juros. A proposta está em fase de análise.
Um dos motivos da criação do sistema de venda de gado pela internet é acabar com os calotes. Para Amaral, quem sofre com a venda direta é o pecuarista. “Muitos frigoríficos compram e não pagam. O sistema de compra on-line evita transtornos e beneficia o produtor com pagamento à vista”, afirmou o coordenador.
Para o presidente do Sindicato dos Frigoríficos (Sindifrigo), Luiz Freitas, o novo procedimento de venda é uma particularidade que cada empresa, cada frigorífico pode adotar ou não. Ele destacou que o sindicato não interfere em assuntos comerciais.
“O sindicato tem por princípio não discutir nada da área comercial dos frigoríficos. Esta é uma modalidade de comercialização, uma opção a mais para o pecuarista”, pontuou. Implantado para compra e venda eletrônica, com o preço e o pagamento estipulados pela Bolsa, o sistema determina que o frigorífico que fechar negócio pode tirar o gado da fazenda após depositar 90% do valor da transação no banco da BM&F. O prazo é de até três dias úteis antes do transporte do gado. A escala máxima estabelecida é de 10 dias após o fechamento da compra.







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