Fazendeiros estão gastando mais para reformar cercas

Ter, 27/07/2010
Globo Rural
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Embrapa MS
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Produtores rurais de Mato Grosso do Sul enfrentam um desafio na hora de investir nas propriedades: o custo dos materiais usados para reformar as cercas subiu bem acima da inflação nos últimos meses.
 
A Fazenda Limoeiro fica no município de Terenos, há 80 quilômetros de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. Em 400 hectares o seu Gilberto Lopes Cruz cria para o abate 1,6 mil novilhas da raça nelore e cruzamento industrial. O lote do primeiro semestre foi vendido há um mês. Com o dinheiro, o produtor pretendia repor os animais comercializados e ainda substituir 29 quilômetros de cerca elétrica por uma mista, mais resistente e econômica.
 
“Ela vai ter dois fios de arame tradicional e quatro fios, sendo só um elétrico devido ao aterramento. O custo de manutenção é muito caro. E o tempo de roçada pode ser mais espaçado e o gasto com veneno e com material humano é menor”, justificou seu Gilberto.
 
Mas, atento às despesas da fazenda, na hora de fazer as cotações o criador se surpreendeu com o preço dos produtos. De acordo com o pecuarista, o aumento inesperado no preço dos materiais atrapalhou o orçamento da fazenda. Cinquenta por cento do que seria investido na reposição do rebanho será utilizado para fazer a cerca.
 
“Você tem que fazer uma adaptação dentro da empresa para que você venda animais gordos e na hora da reposição você reduza a quantidade de reposição para poder fazer este tipo de investimento”, completou seu Gilberto.
 
Em Mato Grosso do Sul, o rolo de mil metros de arame liso aumentou 7%. Em 2009, valia R$ 261. Agora, custa R$ 280. O esticador era comercializado a R$ 37 a unidade. Este ano, custa R$ 40,05. Houve um aumento de mais de 8%. O poste de eucalipto tratado foi o que mais subiu. Em 2009, era vendido a R$ 11,95 a peça em 2009. Agora, não é encontrado por menos de R$ 13,57, um valor quase 13% mais caro.
 
O que chama a atenção dos pecuaristas é que todos os aumentos registrados foram maiores que a inflação acumulada nos últimos 12 meses, de 4,84%.
 
O presidente da Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas, Luis Calvo Ramires Júnior, explicou que nos últimos anos a procura por este tipo de madeira tem aumentado bastante.
 
“Há uma demanda maior com relação ao eucalipto tratado. Antes a gente tinha uma oferta muito de madeira nativa que estava disponível nas próprias propriedades com a limpeza para formação de pastagens para agricultura. Então, a gente tinha essa disponibilidade dessa madeira que vinha da natureza. Então, você partia de um custo muito pequeno porque só precisava retirar e usar. Hoje, o eucalipto tem um custo maior. Já parte de um custo de produção maior. Você tem que plantar a floresta para ter a madeira. Tem que tratar para disponibilizar no mercado”, explicou Ramires Júnior.
 
O aumento do preço do arame teve origem no mercado internacional. O minério de ferro e o carvão, que fazem parte do processo produtivo, estão em alta no exterior, o que encarece o produto no país.

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