Dois discursos e a realidade!
Após a aprovação do novo Código Florestal Brasileiro pela Comissão Especial criada pela Câmara dos Deputados para parecer ao Projeto de Lei nº 1876/99, já vimos e ouvimos de tudo em relação à produção agropecuária e o meio ambiente. Porém, semana passada um comentário publicado pelo Jornal A Gazeta e feito pelo Dep. Federal Ciro Gomes PSB/CE ao Dep. Federal Homero Pereira PR/MT, contrastou em muito com um artigo assinado pelo ex-governador Julio Campos.
Ciro Gomes classificou o deputado Homero Pereira como "homem de coragem" pela sua atuação intensiva e firme na defesa da mudança do Código Florestal. Por outro lado, o ex-governador Julio Campos, em artigo publicado no último domingo, desclassifica o texto do substitutivo objeto da relatoria do Dep. Aldo Rebelo, chegando a afirmar que "a maneira que o novo Código Florestal se encontra no Congresso promove a injustiça e legitimiza a forma errada de se produzir".
Lendo o artigo assinado pelo ex-governador me veio a lembrança de que foi no seu governo que Mato Grosso sofreu forte processo de ocupação. Assim é legitimo perguntar-lhe, quais foram as ações desenvolvidas pelo seu governo atinente à educação ambiental? Como foi feito este trabalho? Seu governo promoveu alguma ação orientativa para os milhares de famílias que vieram do sul do Brasil e aqui chegaram ávidos por produzir? Analisando seu Plano de Governo da época, observa-se que isto não era prioridade.
É importante que toda a sociedade atente para alguns pontos do novo Código Florestal. O primeiro aspecto é de que até agora foi aprovado apenas um relatório na Comissão Especial, assim aqueles que se posicionam contra o relatório, podem atuar no plenário da Câmara dos Deputados através de seus parlamentares e propor mudanças. Portanto o jogo ainda não está concluso. Sugiro, porém, àqueles que estão pleiteando cargos eletivos que antes, conversem com seus eleitores!
Outro aspecto é o de que as mudanças ao novo Código foram objeto de 64 audiências públicas ouvindo efetivamente a sociedade, as universidades, as instituições de pesquisas, os produtores e trabalhadores rurais, ongs e, sobretudo, políticos bem intencionados. Ainda mais, senhor ex-governador ou autores dessa pérola, foi estabelecida uma moratória de 5 anos para que os estados elaborem seus Planos de Recuperação Ambiental. Muita coragem mesmo destes deputados, como disse Ciro Gomes.
Para Mato Grosso será muito fácil estabelecer seu Plano de Recuperação Ambiental, basta que o atual MT Legal sofra pequenos ajustes. Assim, mais uma vez nosso Estado está à frente em relação à maioria dos estados da Federação. Desta forma, estamos numa situação muito confortável e tenham certeza todos àqueles que por uma razão ou outra estão afastados do meio rural mato-grossense, nossos produtores são favoráveis à produção sustentável!
Outro aspecto que o nobre ex-governador e o autor ou autores do artigo precisam refletir é quanto à posição do Senador Jayme Campos. Este liderou a realização de várias audiências públicas em Mato Grosso denunciando as ações do Ibama na aplicação do atual Código Florestal. Conversei com ele e ele se colocou ao lado dos produtores rurais e apoia incondicionalmente o relatório do Deputado Federal Aldo Rebello.
Dois discursos e a realidade: situações como esta indicam que os mato-grossenses precisam avaliar muito bem aqueles que se apresentam como candidatos. Não podemos correr riscos de elegermos políticos que não compreendem a realidade sócio, econômica e ambiental do Estado de Mato Grosso.
Defendo intransigentemente o relatório do Deputado Federal Aldo Rebello mesmo com a moratória ao desmatamento imposta ao setor produtivo. E vejo como oportuno o debate.
Amado de Oliveira Filho é produtor rural, economista, especialista em mercados de commodities agropecuárias e direito ambiental e escreve às quartas-feiras em A Gazeta - amadoofilho@ig.com.br








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