Síndrome da Vaca Caída pede atenção
Você já ouviu falar da “síndrome da vaca caída”? Trata-se de um problema frequente na pecuária de leite, que se caracteriza pela falta de cálcio no sangue do animal e, consequentemente, pela fraqueza e incapacidade dele se levantar.
Segundo o veterinário Leonardo Assad, gerente de projetos da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), não existem dados específicos do problema em Mato Grosso, mas alguns estudos dizem que nos rebanhos leiteiros brasileiros a incidência dessa enfermidade varia de 0,5% a 5% dependendo do manejo e da manutenção de vacas velhas no rebanho. Os principais sintomas verificados nos animais acometidos são tremores musculares, anorexia, hipotermia, debilidade muscular, decúbito esternal e posteriormente lateral, seguido de morte em aproximadamente 12 horas.
A “síndrome da vaca caída” é ocasionada principalmente pela diminuição dos níveis de cálcio no sangue ou hipocalcemia. Mas. conforme explica Assad, pode estar relacionada a outros fatores além da hipocalcemia, como a hipomanesemia (diminuição dos níveis de magnésio no sangue), parto distócico (parto dificultoso), desnutrição, traumatismo pós-parto, idade avançada da vaca e ao excesso da condição corporal (vacas muito gordas).
De acordo com o médico veterinário Ingo Aron Mello, na tentativa de prevenir a doença, muitos produtores erroneamente suplementam a vaca com cálcio antes que ela necessite. “Essa ação é perigosa, pois o metabolismo do animal faz regulação negativa, desequilibrando a absorção, deposição e eliminação do cálcio junto com outros nutrientes importantes. Assim, quando a vaca realmente necessita de cálcio ela não consegue obter. Nesses casos, em vez de prevenir a hipocalcemia, os produtores a provocam”, alerta.
Outro veterinário, Carlos Augusto Zanata, da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), confirma que às vezes o criador Confunde a síndrome da vaca caída com doenças como o botulismo, a raiva, e até mesmo lesões do membro superior, em que os sintomas são mais ou menos parecidos, ou seja, o animal não consegue se levantar.
“Mas o botulismo é urna doença causada pela ingestão de osso de animais mortos em que o gado, por deficiência nutricional, ingere e acaba contraindo a bactéria do botulismo. Já a síndrome da vaca caída não é uma doença infecciosa, mas pura e simplesmente de deficiência nutricional. bastando que o animal seja mineralizado adequadamente para a cura”.
A maioria dos casos da síndrome da vaca caída surge no período pós-parto oriundos de quadros , de hipocalcemia, aproximadamente 61%. A hipocalcemia ou febre do leite ocorre em vacas de alta produção de leite geralmente nos três primeiros dias pós-parto. Isso ocorre devido a uma diminuição dos níveis de cálcio no sangue devido uma demanda excessiva de cálcio na hora do parto para expulsão do feto. na produção de colostro e para produção de leite.
Falando do problema, Aron Mello diz que no período pré-parto as vacas passam por mudanças metabólicas, fisiológicas e imunitárias. No terço final da gestação, o balanço energético fica negativo, há redução da capacidade digestiva e aumento do desafio parasitário, que muitas vezes resultam na fraqueza física do animal A falta de cálcio e magnésio no sangue são os fatores para desencadear a doença da vaca caída.
O tratamento da enfermidade pode ser feito com o USO de medicamentos intra-venosos à base de cálcio, uso de corticosteróides, tônicos, vitamina E e selênio. A intervenção medicamentosa é rápida, e cerca de 60% das vacas tratadas respondem bem ao tratamento, mas a maioria dessas vacas são descartadas do rebanho leiteiro.
Para o veterinário da Acrimat Leonardo Assad, a melhor alternativa é a prevenção da hipocalcemia através de um manejo nutricional adequado. “Uma alternativa utilizada é a redução da administração de cálcio no período pré-parto objetivando estimular a secreção do paratormônio e aumentar fisiologicamente os teores de cálcio no sangue. Outra alternativa é o ajuste da diferença cátion aniônica da dieta através da redução dos níveis de potássio da dieta. A prevenção com a administração de gel de Ca (carbonato de cálcio) via oral e injeção de vitamina D3 logo antes do parto pode também ser utilizada para prevenir”.







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