Veterinária: 100 anos de avanços

Qui, 27/05/2010
Josiane Dalmagro - Folha do Estado
Acrimat
Leonardo Assad

O ensino da medicina veterinária chega ao seu centenário este ano. São 100 anos da instituição do Ensino Médico Veterinário no Brasil e 90 anos de criação da Sociedade Brasileira de Medicina Veterinária (SBMV).
 
Os avanços se fazem visíveis em todas as áreas de atuação, e o sucesso do ensino da medicina-veterinária no país, bem como das pesquisas agro-pecuárias correlatas, que permitiram ao Brasil alcançar a liderança na produção e exportação mundial de produtos agropecuários, é uma realidade, que inclusive melhora ainda mais a cada dia, segundo o professor doutor e coordenador do curso de Medicina Veterinária da UFMT, campus Cuiabá, Afonso Lodovico Sinkoc.
 
“O ensino no Brasil cresceu muito com a atualização dos cursos e adequação das necessidades do mercado atual, ainda que exista um entrave burocrático com o que é novo”, fala Sinkoc.
 
O discurso de Sincok é reiterado pelo presidente do Conselho Estadual de Medicina Veterinária, Valney Souza Corrêa, recém-empossado presidente do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea-MT).
 
“O Brasil tem hoje mais de 150 faculdades de Medicina Veterinária, é uma profissão que cresce muito por ter atividades abrangentes, apesar de muita gente achar que veterinário só mexe com cão e gato”, diz.
 
Segundo ele, Mato Grosso possui hoje cerca de três mil veterinários atuantes, muitos vindos de fora, já que o Estado tem apenas três faculdades para o curso, duas públicas e uma particular, que somadas formam e colocam no mercado cerca de 70 profissionais por ano.
 
“A medicina veterinária se desenvolveu muito, mais precisa avançar ainda mais, principalmente em pesquisa e tecnologia. A pesquisa é que vai garantir o futuro do nosso país”, afirma Valney Souza.
 
Mato Grosso ainda enfrenta a falta de profissionais específicos por área, segundo Valney, e como consequência os médicos veterinários daqui acabam atuando em diversas frentes de trabalho e fazendo de tudo.
 
Apesar das dificuldades, o ensino da medicina veterinária no Estado está entre as melhores do país. A UFMT alcançou a nota quatro, numa escala que varia entre um e cinco da avaliação do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) de 2007, ficando em 13° lugar entre as 137 instituições que participaram da prova.
 
Além disso, hoje a UFMT tem 48 professores no corpo docente do curso de Medicina Veterinária, dos quais 32 são doutores e cinco são pós-doutores. Possui ainda cerca de 60 projetos de pesquisa desenvolvidos pelos professores e 14 projetos de extensão, conta o coordenador do curso.
 
São realizados cerca de 16 mil procedimentos no Hospital Veterinário do campus, dos quais 30% são gratuitos.
Afonso Lodovico salienta o quão é importante para a qualidade posterior desses profissionais a prática aliada à pesquisa, mas reclama da falta de técnicos de nível superior para atuar no laboratório de atividades do curso.
 
“Hoje o Hospital Veterinário tem apenas um médico veterinário para supervisionar, esse número poderia aumentar para melhorar o desempenho das atividades”, finaliza ele.
 
 
 
Atuação do médico veterinário está muito ligada à produção animal
 
Atualmente, a medicina veterinária está muito ligada e influenciando a produção animal, segundo médico veterinário, Leonardo Assad. Os campos influenciados por esse profissional são abrangentes e as consequências da atuação dele também.
 
Assad destaca os avanços tecnológicos na prevenção de doenças, controle sanitário de rebanhos, nutrição,e manejo reprodutivo, melhoramento genético com produção in vitro, melhoramento de embriões e todo esse avanço na biotecnologia.
Ele destaca ainda como os suínos e aviários melhoraram nesse sentido, e ainda destaca tecnologias no processo de bioclimatização.
 
“Hoje o gado está muito melhorado, ganha peso acelerado por conta do melhoramento genético. O animal consegue utilizar melhor os nutrientes dos alimentos, e além da transferência de embriões, estamos utilizando cruzamento industrial de raças”, conta o veterinário.
 
O presidente do Conselho Estadual de Medicina Veterinária e presidente do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea), Valdiney Souza Corrêa, recém empossado, afirma que a área de atuação é enorme, a ponto de profissionais de outras áreas debandarem-se para atender a demanda no campo da veterinária.
 
O doutor em Ciência Veterinária e coordenador do curso de medicina veterinária da UNIC, Lázaro Manoel de Camargo destaca ainda outro setor importante que tem, segundo ele, tido uma evolução fantástica é o das tecnologias em diagnósticos, principalmente nos grandes centros, como São Paulo. “O Brasil é pioneiro em transferências de embriões e clonagem diz. Lázaro afirma ainda que existe hoje uma atuação permanente no cuidado com a criação de animais, manejo reprodutivo, mapa de vacinação, controle de alimentação e defesa sanitária animal onde o médico veterinário está inserido.
 
Registros datam do século 18 a.C.
 
A Medicina Veterinária tem registros que datam do Século XVIII AC, com informações gravadas no “Papyrus Veterinarius de Kahun”, onde há referências sobre a “medicina animal”. Mas a Medicina Vete rinária moderna teve a origem em 1762 com a criação da primeira de Escola de Veterinária, na França.
 
Até o final do Século XVIII, surgiram 20 estabelecimentos de ensino veterinário na Europa.
 
No Brasil o Decreto 8.319 de 20 de outubro de 1910, assinado pelo Presidente Nilo Peçanha tornou obrigatório o ensino da Medicina Veterinária. No mesmo ano foram criadas a Escola de Veterinária do Exército e a Escola Superior de Agricultura e Veterinária, ambas no Rio de Janeiro.
 
A primeira turma da escola civil graduou-se em 1917. Três anos depois, fundava-se a Sociedade Brasileira de Medicina Veterinária – SBMV.
 
O primeiro diploma legal a regulamentar da Medicina Veterinária veio com o Decreto 23.133 de 9 de setembro de 1933. Essa data foi escolhida posteriormente como o dia do Médico Veterinário.
 
Em 23 de outubro de 1968, houve a aprovação da Lei 5.517, que estabelece a segunda regulamentação e cria o Conselho Federal e os Conselhos Regionais Medicina Veterinária.
(Informações: www.redevet.com.br)
 

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