65% do gado é vendido à vista

Este ano, 100 propriedades rurais irão testar esse novo programa, que tem como proposta tornar a atividade mais eficiente e sustentável
Ter, 27/04/2010
Da Folha do Estado

Após a crise da inadimplência dos frigoríficos afetar diretamente os pecuaristas mato-grossenses, 65% das vendas realizadas atualmente pelos criadores com as indústrias são à vista. A mudança se acentuou com a adoção da campanha “Só à vista”, liderada pelas federações de pecuaristas de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, lançada há quase um ano, conforme avaliou o Instituto de Economia Agropecuária (Imea-MT), entidade vinculada à Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato). “A crise realmente mudou a forma de comercialização”, avalia o diretor da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari. Ele relembra que tradicionalmente os pecuaristas negociavam com as indústrias condições de pagamento com prazos de 30 dias. “Houve um ajuste nas operações, os pecuaristas passaram a insistir na venda à vista e as empresas perceberam essa alteração no mercado, num desdobramento positivo da crise”, diz Vacari.
 
O presidente do Sindicato de negociação entre pecuaristas e empresários e diz que ela não dificultou a comercialização entre os dois lados.
 
Mas, na opinião do pecuarista e diretor da Associação de Proprietários Rurais de Mato Grosso (APR-MT), Paulo Resende, as vendas à prazo podem ser mais vantajosas para o pecuarista quando realizadas com empresas que detêm maior credibilidade no mercado. “Neste caso, o produtor pode obter um preço melhor, porque geralmente na venda à vista o frigorífico desconta entre 3% e 4% no preço da arroba do boi”.
 
A alta no preço do boi gordo, registrada desde janeiro, não foi forte o suficiente para ultrapassar, na média, a barreira dos R$ 74 a arroba. Diante disso, os frigoríficos aceleraram o processo de abate, que vinha sendo controlado. A estabilidade no preço do animal deve-se a um pequeno aumento da oferta no mercado.
 
Abate - Mesmo com oito plantas industriais ainda paralisadas em Mato Grosso, a média mensal de abate este ano tem se mantido 3,2% acima da alcançada no ano passado, com 348,5 mil cabeças abatidas por mês em todo o Estado, considerando o desempenho dos dois primeiro meses do ano. Em 2009, no mesmo período, o número registrado foi de 348,5 mil, segundo o Imea-MT. No acumulado do primeiro bimestre de 2010, foram abatidas 719 mil cabeças de gado. “O volume de abates está de fato um pouco superior ao do mesmo período do ano passado”, confirma o diretor da Acrimat-MT.
 

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