Arantes na mira da Justiça
O Juizado do Trabalho de Pontes e Lacerda embargou 100 toneladas de carne do frigorífico Arantes, no município, após a unidade amanhecer de portas fechadas na última quarta-feria (10). A decisão do juiz Lamartine França de Oliveira de arresto dos bens do frigorífico Arantes foi após os trabalhadores impetrarem uma ação para garantir o pagamento de salários e direitos trabalhistas. O Arantes também deixou de pagar pecuaristas e de cumprir compromissos com três compradores.
A advogada de cerca de 80 funcionários da unidade, Fabiane Battistelli Berlanga, disse que as medidas cautelares foram em caráter de urgência para evitar que a empresa se desfizesse das últimas mercadoriasque havia na planta. “O juiz acatou o pedido de urgência, visto que o Arantes já vinha se desfazendo de toda a produção, tanto é que restou apenas quatro cargas de miúdos”, explica a advogada.
O advogado do grupo, Senilton Vicente de Souza, disse que ainda não há decisão se irão ou não recorrer da ação. O advogado também disse não saber os motivos do encerramento das atividades.
No início deste mês, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) registrou indícios de irregularidades na comercialização com a União Européia e cancelou a habilitação do grupo para exportar.
O presidente do Sindicato Rural de Pontes e Lacerda, Ogelson Teodoro da Silva, explicou que foi identificado envio de carne sem registro fiscal. “Eles lançavam notas fiscais de 500 cabeças e exportavam duas mil”, exemplifica o produtor.
Na semana passada, em entrevista à Folha do Estado, o diretor do Mapa em Mato Grosso, Antônio Sérgio Lobo, disse que a suspensão da habilitação ocorreu porque o grupo estava comercializando gado de fazendas não habilitadas para exportar.
Procurada pela equipe da Folha, a direção da empresa disse por meio de sua secretária que não irá se pronunciar quanto ao assunto.
O Arantes estava atuando por meio de um Plano de Recuperação Judicial aprovado em Assembleia Geral de Credores no dia 19 de janeiro deste ano para o pagamento da dívida de R$ 1 bilhão. O superintendente da Associação de Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari, acredita que os pagamentos sejam honrados porque estão atrelados à venda de bens do grupo. “Sinceramente, esperamos que os pagamentos sejam feitos. Mas a atitude da empresa tem mostrado que não há respeito com os fornecedores, os funcionários e nem mesmo com o governo, já que o impacto do fechamento de uma empresa desse porte é grande na cidade”, afirma Vacari.







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