Criador busca menos o sistema de confinamento

Seg, 08/03/2010
Silvana Bazani - Do Folha do Estado

Em dúvida quanto aos preços futuros na cotação da arroba do boi gordo, próximos de R$ 84, os pecuaristas dedicados ao sistema de confinamento não devem investir muito nessa opção neste ano. Por isso, o número de bois semiconfinados – terminados a pasto recebendo suplementação concentrada – devem aumentar. A avaliação é do médico veterinário e gerente de projetos da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Leonardo Assad.
 
No ano passado, o rebanho confinado diminuiu se comparado com 2008. Consultada a intenção dos pecuaristas, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea-MT) revelou que 403 mil cabeças foram confinadas em 2009, sendo que noano anterior se manteve em 455 mil. Isso representou uma redução de 10% no número de animais confinados.
 
Para este ano, conforme avalia Assad, a intenção de confinamento deve se manter equivalente à de 2009.
 
“A grande vantagem do confinamento é a possibilidade de predeterminar o preço de venda, travando os preços em vendas futuras”, explica o gerente de projetos da Acrimat.
Além disso, permite calcular os custos de produção e complementar a rentabilidade com a pecuária a pasto. “Com o confinamento, o pecuarista utiliza melhor a área de sua propriedade”, diz Assad.
 
Ele lembra que para o confinamento de bovinos, o custo de produção é mais alto que no método a pasto. A nutrição é o segundo insumo que mais encarece, mesmo tendo o milho como base principal da alimentação do rebanho nesse sistema.
 
Para entender se o confinamento é vantajoso, a Associação Nacional dos Confinadores (Assocon) comparou o valor da arroba do boi gordo com o preço da saca de milho, em 47 praças brasileiras. O sistema é rentável, se a relação ficar acima de 3,5, ou seja, significa que o produtor pode comprar três sacas e meia com uma arroba. A média do Brasil está em 4,3.
 
Variações – Na semana passada, a arroba do boi magro custava R$ 70,58, enquanto a do boi gordo se mantinha em R$ 67,11. “O que determina essa alta é a demanda dos pecuaristas, que adquirem o boi magro para engorda”. Pelos cálculos do médico veterinário, com o custo médio de comercialização de um boi gordo (R$ 1.105) é possível comprar 1,38 boi magro (R$ 847).

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